Cada uma queria o que a outra tinha

CADA UMA QUERIA O QUE A OUTRA TINHA
Gênesis 29.31-35 a 30.1-24
Nosso Deus é zeloso – Ex 20.1-6


CADA UMA QUERIA O QUE A OUTRA TINHA
é um título que resume de forma eficaz a rivalidade entre as irmãs Raquel e Lia, esposas de Jacó. Além da bigamia, imposta pelo próprio pai delas, este conflito evidencia outros ERROS GRAVES na história desta família. Deus zela pelos Seus filhos, por isso, o que a Bíblia está nos mostrando neste texto é para nos conscientizar de certas atitudes difíceis de se perceber sozinho. 


1. INVEJA

Naquela época, a maioria das mulheres queriam duas coisas desesperadamente: Ser amada pelo marido e lhe “dar” muitos filhos, especialmente meninos. Raquel era amada pelo marido, mas era  estéril.  Lia era fértil, mas não era amada por Jacó. Uma invejava a outra. Cada uma queria o que a outra tinha.

A inveja é um sentimento doentio. “O sentimento sadio é vida para o corpo, mas a inveja é podridão para os ossos”. (Provérbios 14:30)

Este sentimento ruim está na raiz de muitos conflitos familiares, sociais e até mesmo na igreja. Somente o amor genuíno é capaz de acabar com isso (I Co 13.4).

PONTO-CRUZ (use este PC aqui)  – O que é isso?
Ninguém pode nos dar um amor maior que o amor de Jesus, que deu a sua vida por nós. Este amor nos completa e satisfaz.
(João 15.13)

2. MOTIVAÇÕES ERRADAS

As duas irmãs colocaram em quase todos os seus filhos (e nos filhos que as suas servas tiveram com Jacó) nomes que revelavam os seus conflitos internos, numa clara demonstração de que as suas motivações para serem mães não eram as mais adequadas:

LIA

  • Rúben (filho de Lia) – “O Senhor atendeu à minha aflição. Por isso, agora me amará meu marido” (Gênesis 29:32).
  • Simeão (filho de Lia) – “Soube o Senhor que eu era preterida (desprezada) e me deu mais este” (Gênesis 29:33).
  • Levi (filho de Lia) – “Agora, desta vez, se unirá mais a mim meu marido, porque lhe dei à luz três filhos” (Gênesis 29:34).
  • Judá (filho de Lia) – “Esta vez louvarei o Senhor” (Gênesis 29:35).
  • Gade (filho de Zilpa, serva de Lia) – “Afortunada!” (Gênesis 30:11).
  • Aser (filho de Zilpa, serva de Lia) – “É a minha felicidade! Porque as filhas me terão por venturosa” (Gênesis 30:13).
  • Issacar (filho de Lia) – “Deus me recompensou, porque dei a minha serva a meu marido” (Gênesis 30:18).
  • Zebulom (filho de Lia) – “Deus me concedeu excelente dote; desta vez permanecerá comigo meu marido, porque lhe dei seis filhos” (Gênesis 30:20).

RAQUEL

  • (filho de Bila, serva de Raquel) – “Deus me julgou, e também me ouviu a voz, e me deu um filho” (Gênesis 30:6).
  • Naftali (filho de Bila, serva de Raquel) – “Com grandes lutas tenho competido com minha irmã e logrei prevalecer” (Gênesis 30:8).
  • José (filho de Raquel) – “Deus me tirou o meu vexame… Dê-me o Senhor ainda outro filho” (Gênesis 30:23,24).
  • Benjamim (filho de Raquel) – “Filho da felicidade” (nome dado pelo pai, pois Raquel morreu no parto).  

Muitos pais, consciente ou inconscientemente, querem usar os seus filhos para se realizar, para viverem a vida que eles não puderam viver (Ex.: Meu filho vai ter o que eu não tive! Eu não pude estudar, mas meu filho vai ser “doutor”! Não pude seguir a carreira de jogador, mas vou fazer de tudo para o meu filho se tornar profissional! etc.).

A Bíblia diz que FILHO É FLECHA nas mãos do arqueiro. A flecha vai mais longe que o arqueiro, é claro, mas ela não é uma extensão do corpo do arqueiro, assim como nossos filhos também não são uma extensão de nós. Podemos e devemos orientá-los firmemente a cumprir a sua missão de vida com ética e responsabilidade, mas não podemos obrigá-los a viver a nossa vida, não podemos sufocar as suas individualidades, não podemos matar os seus sonhos, não podemos forçá-los a ser aquilo que eles não querem.

Na igreja isso também acontece, de pessoas fazendo a obra de Deus por motivos errados. Muitos pensam que estão servindo a Deus, mas estão servindo a si mesmos, aos seus próprios sonhos, projetos pessoais e interesses. Cuidado, irmãos! Este é um dos motivos pelos quais o fardo fica pesado. O fardo de Jesus é leve, se o fardo não está leve, não é de Jesus.


3. PROJEÇÃO

Em Psicologia, Projeção é o termo técnico usado para descrever um mecanismo de defesa psíquica (quase sempre inconsciente) que protege o nosso emocional daquilo que é nosso, mas é insuportável para nós. Uma vez ativada, a pessoa que está projetando passa a “ver” nas outras pessoas os defeitos que são dela mesma. Veja o caso de Lia, que roubou o marido de Raquel.

Podemos aliviar a sua culpa dizendo que o seu pai forçou a situação, mas ela se deitou com o seu cunhado (por quem provavelmente já estava apaixonada) e fingiu ser a sua irmã até o dia amanhecer e a verdade vir à tona. Porém, ela projeta a sua vergonha em Raquel e diz que foi a sua irmã quem pegou o seu marido (Gn 30.15).  

A projeção está muito presente nas relações familiares, sociais e, infelizmente, na igreja. Pessoas falsas, por exemplo, projetam sua falsidade nos outros e acreditam que os outros são falsos, menos elas. Como dizem, tais pessoas não têm “desconfiômetro”.

Preguiça, negatividade, fofoca, indisciplina, maledicência, encrenca, malícia, mundanismo, “falta de amor na igreja”, “tal pessoa tem inveja de mim” etc etc etc. Quem faz projeção vê tudo isso nos outros, menos em si. E quando algum irmão peca, é o primeiro a jogar pedras, sem amor nem piedade, pois as falhas dos outros encobrem as suas próprias falhas. 

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. (2 Timóteo 3:1-5)

CONCLUSÃO

Como uma família pode ser feliz se estas “coisas” estão acontecendo? Ou, como uma igreja pode crescer saudável se estes problemas estão “pipocando” a toda hora?

É muito difícil uma pessoa admitir que tem inveja, perceber sozinha que suas motivações são erradas ou, sozinha, trazer à consciência as suas projeções.

É preciso buscar ajuda, aconselhamento, cura. E quanto a você?

 

Título: Cada uma queria o que a outra tinha
Autor: Pr Ronaldo Alves Franco
Site do Pastor
Data: 12/11/2020

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cada uma queria o que a outra tinha

Antes de mais nada, Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Acima de tudo, onde houver ódio, que eu leve o amor. Discórdia, que eu leve a união. Em síntese, onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erros, que eu leve a verdade. Assim como, onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Desespero, que eu leve a esperança. Tristeza, que eu leve a alegria. Trevas, que eu leve a luz.

1 Comentário em “Cada uma queria o que a outra tinha”

  1. Sidney Ribeiro Balut

    Outros exemplos de se fazer a obra de Deus por motivos errrados são o exibicionismo e o favoritismo que revela ‘panelinha’ na igreja.

    Pregar para se exibir é pecado! O pregador almeja ser bem reconhecido, bem falado, receber os aplausos, os ‘holofotes’ por sua grande erudição e intelectualidade,etc. Pouco interesse tem na salvação das almas.”Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não não tereis galardão junto de vosso pai celeste”(Mt 6.1).
    Quando não pregamos todo o conselho de Deus pecamos, porque trazemos uma vontade ‘manca’ de Deus e o pregador será acusado: “Eis que rejeitaram a Palavra do SENHOR”(Jr 8.9b).

    Quanto às “panelinhas’ na igreja, quantos pregadores tiveram seus ministérios diminuídos, desestimulados, por falta de oportunidades na sua igreja? Isso também é pecado. “Só prega quem estiver afinado comigo’, diz o líder. E Deus condena o “vos mostrardes parciais no aplicardes a lei”(Ml 2.9b).

    E o pregador, afinado com a política da liderança da igreja, mais preocupado com a arrecadação de dízimos e ofertas e não desagradar a platéia, não confronta as ovelhas para não receber críticas delas. Se o membro da igreja é ‘dos nossos’, faz-se ‘vista grossa’ para ele. Se pecar, fala-se que Deus é misericordioso para ele. Mas se o membro da igreja não for ‘dos nossos’, se pecar, todo o rigor da lei sobre ele, sem misericórdia. Mostrar favoritismo é uma atitude desprezível aos olhos de Deus: “Se,todavia,fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguídos pela lei como transgressores”(Tg 2.9).

    Isso porque o favoritismo trai a Cristo: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas”(Tg 2.1) e desvaloriza e humilha a pessoa por quem Cristo morreu. E quando honramos alguém por causa de sua aparência, suas vestes, sua riqueza material, seu prestígio na sociedade, estamos considerando as coisas do mundo mais importantes que o caráter que o SENHOR DEUS requer dos Seus servos.

    Quando damos preferência para os da nossa “panelinha”, estamos servindo ao SENHOR por motivos errados e jeitosamente indo contra os valores divinos revelados nas Escrituras Sagradas.

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