O suor dos descontentes

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O suor dos descontentes: O dia havia apenas amanhecido e o agricultor solitário já estava capinando sua lavoura. Aquele seria mais um dia de trabalho árduo,  de sol a sol, como  tantos outros.

Enquanto batia a enxada, pensava na vida. Como gostaria de fazer ou de ser outra coisa.

Cansado, apoiou o braço sobre o cabo da enxada, tirou o chapéu, limpou o suor que escorria pelo rosto e deu uma olhada para a rodovia que passava em frente à sua propriedade.

Ao longe, avistou um ônibus que subia preguiçosamente a ladeira em sua direção. “Como devia ser boa a vida de motorista de ônibus”, pensou ele, “trabalhar sentado, sem ter que fazer tanta força, sem tomar sol e chuva na cara e, ainda de sobra, ter um rádio para se distrair”.

Nesse momento um carro de luxo, com motorista particular, ultrapassa o ônibus e o motorista do ônibus pensa consigo mesmo como devia boa a vida de um executivo: “Dispor de um carrão de luxo como aquele, com ar condicionado, para não ter que ficar o dia inteiro suando feito um animal, sem patrão para lhe cobrar horários, sem tem que passar dias na estrada longe de casa e da família”.

Aquele executivo, no entanto, está se sentindo cansado do seu estilo de vida, de intermináveis reuniões e viagens à negócio, de viver preocupado com seus negócios, com as dívidas da empresa, com o salário dos empregados, com os impostos, com a concorrência, etc, etc, etc. Fecha seu computador portátil, levanta os olhos e, ao ver o agricultor parado, tranqüilo, olhando o movimento da rodovia, lembra-se de quantas vezes já sentiu vontade de chutar tudo pro alto, comprar um pequeno sítio e viver a vida de um modo mais simples, mais saudável, podendo colocar o pé no chão, carpir, suar.

 

Porque nos queixamos da vida quando somos castigados por causa dos nossos pecados? – Lamentações 3.39


Autor desconhecido.
Colaborador: Elaine F. Macedo
Recontada por Pr Ronaldo Alves Franco.

 

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