Nadadores perdidos

VIRE A PÁGINA!

Em um de meus momentos não muito inteligentes, participei de uma corrida que começava com uma prova de natação, de quase dois quilômetros, no mar. Seiscentos de nós se juntaram na praia ao nascer do sol, alguns esperavam ganhar uma medalha. Eu esperava acabar antes do jantar.

Seis boias alaranjadas marca­vam nosso caminho. Meus companheiros de corrida me disseram o segredo para ficar no caminho certo: a cada quatro ou cinco braçadas, levante a cabeça para fora da água e tome o rumo certo. A última coisa que você quer fazer é sair do caminho certo e ter de nadar uma distância a mais para voltar. Parecia simples. Eu já tinha praticado a técnica do “levantar e olhar” à exaustão na piscina. Mas não no mar agitado pelo vento.

E já mencionei o vento? Todos nós engolimos em seco ao vermos a bandeira lá em cima toda esticada, e os ventos soprando mais fortes. Rajadas de vento faziam com que o mar da baía se parecesse com uma cordilheira de águas salgadas. E o que era pior, o vento soprava para o sul. Nós  nadaríamos para o norte. “Sem problemas”, eu disse a mim mesmo para me tranquilizar. “E só nadar de uma boia a outra.”

Depois de alguns minutos, a tática de nadar de “uma boia a outra” se transformou em: “Quero minha mãe!” Este peixinho aqui não tinha a menor chance. Cada vez que eu levantava e olha­va, tudo o que eu via era a próxima onda. Foi um desastre. Até onde pude perceber, nadava em círculos.
Então, de repente, a ajuda veio nadando até mim. Uns seis competidores fizeram meu corpo de ponte. Primeiro, fiquei mui­to irritado. Depois, eu me toquei: eles sabem aonde estão indo, e fui atrás deles. Tão mais fácil. Sem procurar por marcadores nas on­das; só ficar com a turma. E foi o que eu fiz. Deslizamos pela baía com a confiança de um bando de golfinhos, conferindo o rumo dos companheiros a cada dez minutos, cada braçada nos levando mais próximos do fim. Mas minha mão bateu no bote de salvamento.

Parei e olhei para um dos juízes. Um a um, meus novos companheiros de cor­rida vieram e bateram em mim ou no barco. Engavetamento em pleno mar.
— Aonde vocês estão indo? — perguntou o cara na canoa. Pela primeira vez em algum tempo, olhei a minha volta. Estáva­mos pelo menos uns quinhentos metros fora do curso, bem no meio do caminho para chegar à China. Olhamos uns para os ou­tros. Ninguém disse nada, mas eu sei que todos pensamos. Bem, sei o que pensei. Achei que vocês soubessem aonde estavam indo.

Éramos tantos nadadores que não podíamos estar todos errados, não é mesmo? Podíamos sim. Um pouco frustrados e bastante envergonhados, nós nos viramos na direção da praia e nos juntamos ao evento novamente. Não fui o último a sair da água.

Já teve dias assim? Dias em que você de repente percebe que está a quilômetros distante de seu caminho? Deus manda um bote de resgate em dias assim. Jesus, posicionado acima das ondas e desfrutando de uma visão privilegiada da praia, oferece-nos seus cuidados: “Quer uma ajuda para voltar ao caminho certo?”

Sábios são os que aceitam e nadam na direção que ele aponta.


Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.

Mateus 15.14

Extraído do livro: Todo dia é um dia especial, de Max Lucado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *