Estudos Especiais em I Coríntios
preparados pelo Rev Silas Matos Pinto
revsilasmatos@yahoo.com.br
REVELAÇÃO DE DEUS
1 Coríntios 2.9-11 –
“Mas, como está escrito: ‘Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais
penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam’.
Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas
perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as
coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as
coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.
É
engraçado ver como eram tiradas as fotos no passado. O fotógrafo se escondia
dentro da câmera, protegido por um pano preto, chamava a atenção de todos e
soltava o canhão. Uma nuvem de fumaça cobria o ambiente. Então era só esperar a
revelação da foto e, pronto. O momento importante estava guardado em uma
fotografia.
O processo de revelação das fotos mudou muito. Hoje máquinas são usadas na
revelação e o fazem numa velocidade assustadora. Muitos ainda usam o antigo e
sombrio quarto escuro, onde mergulham o material no líquido especial e
misteriosamente as imagens vão surgindo diante dos olhos do revelador. Muitas
fotos não são reveladas. Muitas delas queimam e, por causa disto, umas são
reveladas e outras não, fazendo com que momentos especiais se percam na memória
por não terem sido deixados registrados.
Prender a imagem dentro de uma máquina e depois mostrá-la num papel é algo, para
mim, misterioso. Mas mais misterioso é ver algo espiritual sendo revelado no
mundo natural. Estou falando da revelação de Deus. O mundo busca ver Deus para
conseguir acreditar nele. Pelo fato de não conseguirem ver a Deus confeccionam
para si objetos em formas de homens e animais direcionando-lhes as suas orações
como se fossem o próprio Deus. Essas imagens de pedras ou outros materiais
revelam o desejo íntimo do homem de contemplar o Criador. Querem ver aquele a
quem não podem ver. Se não vêem o espiritual, então criam algo natural para
satisfazer sua curiosidade.
O costume de confeccionar imagens é antigo. Os Filisteus adoravam a uma imagem
chamada Dagom. Essa foi a imagem de pedra que foi jogada por Deus no chão para
mostrar aos filisteus que só existe um Deus. “Eis que estava caído Dagom com
o rosto em terra, diante da arca do Senhor; Eis que Dagom novamente jazia caído
de bruços diante da arca do Senhor” (1 Sm 5.3,4); Nabucodonossor foi outro
que fez uma grande imagem, só que de si mesmo. Ele mandou que o povo o adorasse;
O bezerro de ouro, confeccionado por Arão, no deserto, foi outra tentativa de
colocar Deus diante dos olhos dos homens. Como o boi era adorado no Egito a
imagem criada pelos hebreus foi a de um bezerro. A Bíblia registra uma lista
muito grande de deuses que os povos criaram na tentativa de ver aquele a quem
adoravam.
Deus repudia qualquer tipo de representação de Sua imagem ou de qualquer outra
pessoa ou objeto, seja através de desenhos ou esculturas para prestar-lhe culto.
Essa repulsa de Deus contra as imagens é descrita no segundo mandamento, que
diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há
em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as
adorarás, nem lhes darás culto...”(Ex 20.4-6). Deus nunca desejou ser
retratado através de imagens, tanto é que ele nunca se mostrou aos homens. A
razão de não se deixar ver é registrada em Deuteronômio 4.15,...: “Guardai,
pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia
em que o Senhor vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que
não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo,
semelhança de homem ou mulher, ou animal ou volátil
que voa pelos céus ou em forma de algum peixe”. Deus não se mostrou
aos homens para que esses não fizessem um retrato seu e assim o adorassem. Deus
quer ser adorado em espírito e em verdade, não como uma imagem de pedra, mas
como o Deus vivo e verdadeiro que está sempre presente na vida dos seus servos,
estando em todos os lugares e nas situações agradáveis e desagradáveis, dando
aos seus filhos o seu apoio e a proteção necessária. Ele é vivo e não uma imagem
ou estátua.
Quando Tomé exigiu ver as feridas de Jesus para crer (João 20.25), Jesus lhe
disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20.29). A fé do
homem não pode se basear naquilo que vê. Deus existe e se faz presente na vida
dos homens. Crer que ele está presente e atua em nossas vidas é o desafio
proposto por Deus. Alguns só acreditam que ele está presente se tiver um
crucifixo nas mãos. Mas somente serão salvos e receberão os bens espirituais que
Deus oferece aqueles que crerem nele e o adorarem sem a necessidade de uma
imagem para direcionar sua atenção. Deus abomina as imagens e ídolos.
Os homens nunca viram a Deus. Mas apesar de não se mostrar aos homens, Deus se
deu a conhecer a muitos homens e mulheres que confiaram nele e o serviram. Deus
não se deixou ver, mas se revelou a muitas pessoas. É sobre isso que vamos falar
nesse estudo.
O nosso tema é A REVELAÇÃO DE DEUS.
Em primeiro lugar, veremos que Paulo mostrou que MUITOS NÃO
PUDERAM CONHECER A DEUS. v. 9 – “Mas, como está escrito: Nem olhos
viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem
preparado para aqueles que o amam”.
Tem uma figura arrepiante do folclore mundial que tem a sua origem num problema
de saúde física. Hoje pouco se fala sobre a loucura de cachorros. Vê-se
pouquíssimos casos de cachorros loucos porque a vacinação dos animais tem sido
permanente e muito dinheiro tem sido gasto para que essa doença seja erradicada.
A loucura dos cachorros se dá por uma bactéria que causa uma inflamação na
garganta e gengivas do animal levando-o a ter dores fortíssimas e uma
irritabilidade muito grande, deixando-o nervoso e agressivo. Os cachorros loucos
pouco aparecem durante o dia por causa da fotofobia. Fotos é luz e fobia é medo,
isso significa que o animal fica com medo da luz porque ela o incomoda e lhe
traz mais dor. Muitos humanos foram mordidos por cachorros doidos e morreram de
forma horrível. Para tratá-los era necessário isolá-los em quartos escuros.
Quando a porta era aberta eles gritavam de dor, imitando os uivos dos cães,
porque a luz os incomodava muito. Os homens infectados com a doença, quando não
eram tratados em hospitais e moravam em fazendas, em noites claras, por causa da
lua cheia, andavam pelos matos babando (por causa da inflamação da garganta e
gengivas) e uivando (por causa da dor e do incômodo provocado pela claridade da
lua) fazendo surgir assim a lenda do lobo-homem ou lobisomem. Cria-se que quem
fosse mordido por ele também se tornaria lobisomem. Não é através da mordida do
cachorro que o homem era infectado? Assim como as pessoas e animais infectados
com a doença não podem ver a luz, os homens, por causa da infecção do pecado em
suas vidas, não podem ver a Deus e nem ouvir a sua voz.
Deus falou com o povo de Israel no deserto e todos sabiam que Deus estava
falando, mas apenas Moisés foi capacitado a entender as suas palavras. O povo
estava cheio da idolatria do Egito e para eles um deus de metal os satisfaria.
Eles não estavam em condições de se encontrar com Deus. O povo ouviu apenas
trovões e barulhos ensurdecedores capazes de deixar todo o povo aterrorizado.
Eles não ouviram a voz de Deus porque estavam com seus ouvidos tapados.
O mesmo aconteceu quando Saulo ia para Damasco prender e matar os cristão, e
Jesus, após sua ressurreição e ascensão, veio ao seu encontro e conversou com
Saulo com palavras audíveis e Saulo as compreendeu a todas. O diálogo foi assim:
“E,
caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me
persegues? Ele perguntou: Quem és tu Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a
quem tu persegues”(
At 9.4,5). Saulo pôde entender o que Jesus dizia e atentou para cada um de suas
palavras, porém os companheiros de viagem de Saulo não tiveram a mesma
experiência. Atos 22.9, diz:
“Os
que estavam comigo viram a luz, sem contudo, perceberem o sentido da voz de quem
falava comigo”. Os
companheiros de Paulo o viram cair e também viram uma grande luz, mas não
puderam ouvir nada.
Daniel, no capítulo dez de seu livro, conta uma de suas visões, e assim como nos
dois casos que citamos apenas ele foi privilegiado em conseguir contemplar
aquilo que os outros não podiam. O versículo sete diz:
“Só
eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não
obstante caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam”.
O servo de Deus viu, mas os homens que estavam com ele não puderam ver nada do
que Daniel viu.
Em segundo Reis 6.17, Eliseu e Geasi estavam num monte e este foi cercado por
inimigos sírios. O moço que estava com Eliseu se estremeceu e acovardou-se
diante do exército inimigo. Eliseu podia ver o livramento de Deus, mas o moço
estava com os olhos tapados. Então Eliseu orou:
“Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os olhos
do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em
redor de Eliseu”.
Não havia razão para temer. A vitória estava garantida com a proteção de Deus.
Proteção essa que Eliseu podia ver, mas que Geasi somente viu após Deus abrir os
seus olhos.
Os homens que estavam com Paulo e Daniel, assim como os israelitas no deserto e
o moço que estava com Eliseu, não tiveram a experiência espiritual que os servos
de Deus tiveram. Enquanto Moisés, Eliseu, Daniel e Paulo falaram com Deus e
viram a sua glória, os outros homens ouviram apenas barulhos e viram apenas
luzes. A experiência com Deus provocou prazer e alegria nos servos de Deus, mas
provocou medo e pavor nos homens que não o puderam ver, ouvir ou sentir. Para a
maioria dos homens, contemplar a Deus e suas obras é uma experiência impossível.
A nossa afirmação, sob o versículo, é que muitos não puderam conhecer a Deus.
Eles não conheceram a Deus por que não quiseram, mas porque não puderam.
Deus estava lá, ele falou, alguém ouviu, mas alguns não o ouviram simplesmente
porque não podiam ouvir. Paulo disse: “Mas, como está escrito: Nem olhos
viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem
preparado para aqueles que o amam”. Isso é o que acontece hoje, quando você
fica maravilhado com o culto e a mensagem e o vizinho de banco, que está ao seu
lado, acha tudo comum. É que Deus abriu os teus olhos para que você visse o que
ele queria lhe mostrar, enquanto Deus deixou que o teu vizinho continuasse cego
e não visse a ação de Deus. Deus se revelou a alguns e para outros ele se
manteve oculto.
O pai não dá o presente do filho para o filho do vizinho. O presente do filho é
especial porque o filho é para o pai alguém especial. Do mesmo modo Deus tem
muitas coisas reservadas para Seus filhos que não são do conhecimento da maioria
das pessoas. Os outros são pessoas normais. Eles têm todos os sentidos humanos
que os filhos de Deus têm, mas são incapazes de discernir as coisas relativas a
Deus porque lhes falta algo especial. Falta-lhes a capacitação divina para
conseguirem perceber a presença e as ações de um Deus maravilhoso que está ao
seu redor. Eles não o podem ver porque essa visão pertence os filhos de Deus que
o amam. É o que Paulo afirma: “jamais penetrou em coração humano o que
Deus tem preparado para aqueles que o amam”.
Em segundo lugar, Paulo mostrou que ALGUMAS PESSOAS CONSEGUIRAM
CONHECÊ-LO. v. 10a –
“Mas
Deus no-lo revelou pelo Espírito,
ou seja,
“Mas Deus se revelou a nós pelo Espírito”.
Faz parte do desejo humano ver a Deus. Vimos que muitos homens fazem ídolos de
materiais variados porque querem, mas não conseguem ver Deus, nem ouvir sua voz
ou sentir a sua presença. Se satisfazem com uma estatuetazinha de alguém que
dizem representar Deus ou entidades religiosas. Vimos também que muitos homens
estiveram diante de Deus, sabiam que ele estava falando, viram a sua luz, mas
não conseguiram captar o que ele dizia.
Nosso argumento agora é em prol daqueles que ouviram, viram, sentiram e foram
capacitados a entender a mensagem transmitida. A Bíblia diz que Adão, antes de
pecar, conversava diariamente com Deus. O pecado interrompeu esse diálogo
diário; O relato bíblico continua e diz que Enoque andou com Deus e Deus o tomou
para si. Ele foi levado vivo para o céu; Noé ouviu Sua voz e recebeu dele a
incumbência de construir a arca; Abraão falou com Deus e recebeu dele as suas
bênçãos; Jacó teve uma visão celeste; os vários profetas foram incumbidos de
trazer a Sua vontade aos homens, após ouvirem as suas palavras; Moisés conversou
várias vezes com Deus; o mesmo aconteceu com o seu substituto Josué. Estes e
muitos outros falaram com Deus e para eles essa experiência foi algo incomum e
maravilhoso.
Essa realidade tem de ser entendida com temor e tremor. O homem que foi
capacitado a ouvir a voz de Deus deve se humilhar diante do Criador e deve
respeitá-lo ainda mais. O homem que pode ouvir a Deus deve se portar como servo
útil para o reino de Deus. Deve compreender que essa experiência é algo
extraordinário e que demonstra a manifestação do imenso amor de Deus para
consigo. O homem que pode dizer: “Deus
falou comigo, eu o ouvi e entendei”,
é uma pessoa especial. Ele foi capacitado por Deus num particular que muitos
outros homens não o foram. Ele recebeu de Deus um grande presente. Mas esse é um
presente que traz muita responsabilidade.
Depois de falar que muitos não viram com seus olhos, nem ouviram com seus
ouvidos e nem lhes penetrou em seus corações a mensagem salvadora de Deus,
mostrando que são incapazes de ter uma experiência real com Deus, Paulo diz que
algumas pessoas puderam ter essa experiência gratificante:
“Mas
Deus se revelou a nós pelo Espírito”.
Quando se lê o
final do versículo que diz que Deus não revelou aos outros o que estava
reservado para aqueles que o amam, o homem que recebeu essa revelação de Deus
pode se achar mais especial que outros. Pode dizer:
“Eu recebi porque eu amei a Deus”.
Mas a realidade é que nós não amaríamos a Deus se ele não desse o primeiro
passo. 1 João 4.19, diz:
“Nós
amamos porque ele nos amou primeiro”.
Deus nos capacitou a amar e por isso é que o amamos. Então poderíamos dizer que
Deus se revela àqueles a quem ele amou e por isso reservou para esses amados o
maior e mais especial presente que poderia existir:
“Deus
se revelou àqueles que o amam”.
Deus se nos deu como um presente.
Pare e pense: Você conhece a Deus e muitos não o conhecem porque são impedidos
de conhecer; você pode senti-lo, enquanto muitos não o podem sentir porque são
insensíveis ao toque de Deus. Você sabe de coisas que muitos nunca poderão
saber. Você é especial!
Agora vem a parte principal sobre esse assunto. Você não é especial por acaso.
Deus o escolheu para uma missão especial – Proclamá-lo ao mundo. Deus o
escolheu para viver de forma especial – Em santidade. Deus não o escolheu
para que você se perca – Mas para que seja salvo. Diante disso há um
grito que ecoará em seus ouvidos: VOCÊ VAI CONTINUAR VIVENDO UMA VIDA COMUM, DA
MESMA FORMA QUE VIVEM OS PEDIDOS? Rogo a Deus que sua resposta seja um belo e
sonoro: NÃO!
Se Deus o amou e se revelou a você, você não pode se dar ao desperdício de
se jogar de volta na sarjeta. Você é uma jóia da coleção especial de Deus.
Por fim, Paulo mostrou que não adianta o homem tentar encontrar a Deus do seu
jeito, pois A REVELAÇÃO DIVINA DEPENDE DA VONTADE DO PRÓPRIO DEUS.
v. 10b e 11 –
“Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de
Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio
espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece,
senão o Espírito de Deus”.
Quando Paulo
discursou em Atenas ele chamou a atenção para um fato importante. Ele mostrou
aos atenienses que o homem não pode encontrar Deus, mesmo que o procure com todo
cuidado –
“Para
buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não
está longe de cada um de nós”
(At 17.27). Paulo mostrou,
no versículo seguinte, que nós existimos em Deus e ele está sempre diante de
nós. Para o homem o problema não é saber que Deus está lá. O problema é crer que
ele está lá sem que o possa ver.
O Espírito Santo é quem revela o que Deus deseja que seja revelado. O Espírito
Santo investiga atentamente (perscruta) qual a vontade de Deus, e segundo a Sua
vontade é que ele mostra aquilo que para os homens é misterioso. Deus é o maior
mistério para o homem. A pergunta:
Quem é
Deus? No nosso
catecismo, foi a pergunta que mais desafiou, incomodou e desgastou os teólogos
que o confeccionavam. Os homens não sabem quem é Deus. Eles o conhecem apenas
através de suas manifestações e ações a favor dos homens. O ser de Deus só não é
um completo mistério para os homens porque o Espirito Santo, que conhece a
vontade de Deus, por ser ele também o próprio Deus, revela aos filhos de Deus o
bastante para que os seus filhos possam crer e depender dEle.
O Espírito Santo revela o ser de Deus por ser ele também o próprio Deus. Para
entender melhor esse mistério é necessário entender o próprio homem. O homem é
formado de corpo e alma. O corpo humano reage às vontades da carne motivado pela
queda da alma. O corpo e a alma são uma unidade inseparável, porém de naturezas
distintas. O material (corpo) se une ao espiritual (alma) formando o homem. A
morte separa o inseparável, mas ressurreição os unirá. Assim como o corpo tem
desejos benéficos e maléficos motivado pela alma caída ou renovada, também a
alma humana é afetada pelas situações e dores enfrentadas pelo corpo por fazerem
parte de uma mesma realidade. Assim também, o Espírito Santo, por fazer parte da
Trindade Bendita e ser um com o Pai e com o Filho, pode saber o que faz parte do
desejo do Pai e do Filho e assim pode transmitir aos homens essa vontade divina.
Sobre isso Paulo disse assim:
“Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de
Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio
espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece,
senão o Espírito de Deus”.
O homem não pode compreender completamente um outro homem. Somente a própria
pessoa é que pode se fazer conhecer aos outros, se ela o desejar. Por melhor que
seja um psicólogo não pode arrancar do paciente um segredo que ele não queira
revelar. Esse segredo é tão seguramente guardado porque cada um tem a autoridade
sobre si de manter ou de revelar aquilo que deseja ou não revelar. Somente o
homem conhece a si mesmo e se dá a conhecer a quem deseja.
Se o homem tem essa autoridade sobre si e ninguém pode arrancar dele o que ele
não deseja revelar, então não estamos errados em afirmar que a revelação
divina depende da vontade do próprio Deus. Os homens não podem fazer Deus
aparecer ou se revelar no lugar e hora marcados pelo homem. Todas as
manifestações de Deus aconteceram em locais e horas totalmente alheios à vontade
do homem. O homem nunca controlou Deus e nunca o fará. Deus se revela a quem
quer, quando quer e se quiser.
O homem necessita da revelação divina. Ele tem dentro de si um receptor, deixado
por Deus, que anela por um contato com Deus. O pecado causou um dano
irreversível nesse receptor e o homem não pode consertá-lo. Como os receptores
de todos os homens estão quebrados, nenhum deles poderia ver, sentir, ouvir ou
de alguma maneira se comunicar com Deus. O próprio Deus resolveu consertar os
comunicadores de alguns homens. Esses escolhidos por Deus foram capacitados a
terem um contato maior com ele, os outros, que não tiveram o comunicador
consertado, são absolutamente impedidos e inabilitados a ter qualquer tipo de
contato com Deus, mesmo que desejam isto. Mas mesmo os homens que foram
novamente habilitados para essa comunicação não podem controlar esse
comunicador, pois é Deus quem define o que, quando e como ele vai se comunicar.
Nosso tema foi A REVELAÇÃO DE DEUS. Vimos que os homens sempre buscaram
ter uma comunicação com Deus. Tentaram vê-lo e não puderam. Nessa tentativa
criaram ídolos com o intuito de colocar Deus diante de seus olhos, mas essa
tentativa foi frustrada porque as estátuas eram absolutamente mortas. Deus se
revelou apenas a quem quis e no momento desejado por ele. Diante dessa
dificuldade de comunicação do humano com o divino, vimos nesses três versículos
que
- MUITOS
NÃO PUDERAM CONHECER A DEUS.
v. 9 –
“Mas,
como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em
coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.
Uma quantidade imensa de pessoas não puderam e nunca poderão ter qualquer
contato com Deus. Essa realidade acontece porque é Deus quem dá ao homem a
capacidade de entender ou não os seus sinais e falas.
- ALGUMAS
PESSOAS CONSEGUIRAM CONHECÊ-LO.
v. 10a –
“Mas
Deus no-lo revelou pelo Espírito.
ou seja,
“Mas Deus se revelou a nós pelo Espírito”.
Outra realidade é
que ao mesmo tempo que muitos homens se viram totalmente incapazes de se
comunicar com Deus, outros homens tiveram um contato direto com ele. Ouviram sua
voz e falaram com ele. Em muitos casos, esses homens que ouviram a voz de Deus
estavam entre outros homens e mesmo assim os outros não puderam entender o que
Deus falava
- A
REVELAÇÃO DIVINA DEPENDE DA VONTADE DO PRÓPRIO DEUS.
v. 10b e 11 –
“Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de
Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio
espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece,
senão o Espírito de Deus”.
A última realidade
observada é que a revelação de Deus depende única e exclusivamente do próprio
Deus. Homem algum pode marcar um encontro com ele. Também não pode definir suas
ações ou o seu modo de agir. O homem depende totalmente de Deus para conhecê-lo.
Meu irmão. Vimos que o homem não pode conhecer a Deus se Deus não se revelar.
Você conheceu a Deus. Ele habita em teu coração. Ele é o teu Senhor. Não gaste
inutilmente o teu tempo. Você é muito especial para Deus. Não viva a vida comum
dos mortos. Viva como vivo em Deus e cumpra o teu dever como servo fiel.
As convicções do autor não expressam, necessariamente, a nossa opinião.